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1 | Agosto

Agronegócio

publicado em 01/08/2019

O que são produtos orgânicos? Um guia com tudo o que você precisa saber sobre eles

A liberação de nova leva de agrotóxicos intensificou a busca por orgânicos. Tire todas suas dúvidas, aprenda a identificá-los, saiba onde comprar e mais



Alimentos produzidos sem agrotóxicos saíram do nicho há algum tempo e estão cada vez mais presentes no comércio – o mercado de orgânicos vem crescendo aproximadamente 20% ao ano no Brasil.
 
A liberação recente de novas levas de agrotóxicos intensificou ainda mais o interesse pelo assunto e a procura por produtos orgânicos. Pensando nisso, o Paladar preparou esta reportagem especial. Aqui, você vai encontrar as respostas para as perguntas mais frequentes.
 
Vamos começar do começo:
 
Orgânicos estão em alta na cidade
Orgânicos estão em alta na cidade Foto: Casa Orgânica
 
O que são produtos orgânicos?
São produtos livres de agrotóxicos e fertilizantes químicos sintéticos. Os orgânicos são cultivados com adubos naturais e, em caso de necessidade, com defensivos biológicos. A produção deve respeitar a sazonalidade dos vegetais e os ciclos naturais. Alimentos orgânicos não podem ter corantes ou conservantes sintéticos. As carnes não podem levar antibióticos promotores de crescimento. 
 
Então, todo alimento sem agrotóxico é orgânico?
Não. Para serem comercializados como orgânicos, os produtos devem ser certificados e receber um selo (o da imagem abaixo), reconhecido pelo Ministério de Agricultura, que atesta o cumprimento de normas de produção. Há seis certificadoras em atuação no País: Ecocert, IBD, Tecpar, AAO, CMO Cert Mokiti Okada e OIA, além da certificação participativa, feita pelos próprios produtores.
 
 
Como identificar que um produto é orgânico?
Nos produtos embalados, o rótulo deve ostentar o selo (este aí de baixo). Ele aparece até nos saquinhos que envolvem produtos frescos, como folhas e frutas. Nos ingredientes vendidos a granel, é preciso pedir para ver o certificado do produtor.
 
Selo de produtos orgânicos 
Selo de produtos orgânicos  Foto: Reprodução
 
Quais itens podem ser certificados?
Além de legumes, frutas e verduras, a lista de orgânicos inclui carnes (de boi, porco, frango...), ovos, laticínios, itens industrializados variados, maquiagem e outros artigos de beleza, produtos de limpeza, além de bebidas, alcoólicas ou não. Aqui, fizemos uma seleção de vinhos, cervejas e destilados (cachaça, gim e vodca) nacionais - todos orgânicos. 
 
Há ainda café, açúcar, arroz, feijão, massa, chá, iogurte, queijo, pão, molho, biscoito, granola, palmito... basta procurar pelo selo na embalagem. 
 
Assim como os vegetais, carnes e ovos também passam por auditoria e certificação, que garantem que os animais são criados em pasto sem aplicação de agrotóxicos e fertilizantes. O tratamento veterinário dos animais orgânicos também é diferenciad: as vacinações oficiais são obrigatórias, mas os cuidados não incluem antibióticos nem hormônios e são feitos com fitoterápicos ou homeopatia.
 
 
Onde comprar orgânicos?
A oferta é crescente e está cada vez mais fácil encontrá-los. A procura tem sido tão intensa que eles saíram do nicho dos distribuidores de cestas (que andam em alta e cada vez em maior número) e empórios especializados, e agora até as grandes redes de supermercado foram obrigadas a abrir espaço para legumes e verduras orgânicas. 
 
Confira aqui uma seleção de endereços, que vão desde feiras de rua, mercados, empórios, grandes mercados e ainda incluí 12 indicações de serviços de cestas com opções de assinatura para diferentes estilos de consumidores. 
 
Bio Mange, empório de orgânicos na Vila Mariana 
Bio Mange, empório de orgânicos na Vila Mariana  Foto: Felipe Rau/Estadão
 
Orgânicos são mais caros?
No geral, sim. Mas, quando se compra em feiras ou diretamente de produtores, a diferença de preço em relação aos convencionais cai bastante – e há até casos em que orgânicos são mais baratos que convencionais conforme o local. 
 
Fizemos uma corrida para comparar preços. Ao todo, visitamos dez lugares – seis supermercados de grandes redes, como Carrefour e Sonda, feiras de rua, orgânicas e tradicionais, além dos coletivos Feira Livre e Chão. Pesquisamos e comparamos 20 itens entre frutas, legumes, carnes e industrializados, entre outros confira a análise completa aqui.
 
A conclusão? Orgânicos ainda são, sim, mais caros, na maioria dos lugares, especialmente nos supermercados – em alguns chegaram a custar três vezes mais.
 
A dica é comprar nos institutos coletivos, que recebem direto dos produtores e vendem sem fins lucrativos – eles cobram uma taxa, opcional, em torno de 35% sobre a compra para manter o local. Ainda assim, em alguns casos, sai mais barato comprar a versão orgânica ali do que os mesmos produtos convencionais em alguns empórios e mercados. O negócio é aprender a comprar.
 
Instituto Feira Livre, na região da Republica
Instituto Feira Livre, na região da Republica Foto: Rafael Arbex/Estadão
 
Orgânicos são mais gostosos?
Tecnicamente não se pode dizer que eles têm mais sabor e melhor textura. Porém, têm o sabor original e mantêm suas características próprias, sem modificações. 
 
Orgânicos duram mais?
Depende. Por um lado, os alimentos livres de agrotóxicos têm menos água na composição (porque não levam fertilizantes que fazem a planta absorver muita água). Isso os deixa menos suscetíveis à deterioração, fazendo-os menos perecíveis. E, além disso, os convencionais recebem alta carga de produtos químicos que têm a função de acelerar o amadurecimento e esse processo continua acontecendo mesmo após a colheita, fazendo-os estragar mais rápido – então costumam receber conservantes químicos. Sabe aquele spray usado para irrigar as folhas no supermercado? Quase sempre tem água e conservante... 
 
 
Lavar bem remove os agrotóxicos dos alimentos?
Não. A toxicidade é sistêmica, atinge desde a raiz da planta. A lavagem da casca do legume ou da fruta reduz os resíduos, mas não é possível eliminar os agrotóxicos dos alimentos totalmente.
 
 
Alimentos orgânicos são mais nutritivos?
Eles não têm maior valor nutricional, como explica a nutricionista Elaine de Azevedo, da Universidade Federal do Espírito Santo e autora do livro Alimentos Orgânicos – Ampliando o Conceito de Saúde Humana, Social e Ambiental. O que eles têm é melhor valor nutricional, com lipídios, proteínas e sais minerais de mais qualidade. O que ocorre é que a planta orgânica produz substâncias para se defender naturalmente de pragas e doenças e muitas delas, como antioxidantes, acabam sendo benéficas para a saúde humana.
 
Frutas e hortaliças orgânicas são sempre feias e menores?
Foi-se o tempo em que produtos orgânicos eram feios, pequenos e machucados. Isso aconteceu no início do processo de conversão da produção convencional para a orgânica. Mas já foi superado. O que ocorre, porém, é que os alimentos orgânicos não são padronizados e variam de tamanho.
 
 
Feira de orgânicos do Parque Ibirapuera 
Feira de orgânicos do Parque Ibirapuera  Foto: Epitacio Pessoa/Estadão
 
Orgânicos são melhores para o meio ambiente?
Sim. Primeiro, porque evitam a contaminação em cadeia do solo e das águas, afetando culturas, animais e populações humanas. Um exemplo alarmante recente é a redução das populações de abelhas, que estão morrendo por causa da contaminação por pesticidas – as abelhas polinizam as plantas e sem elas boa parte dos vegetais também deixaria de existir. Outra vantagem do cultivo orgânico é a rotação de culturas, técnica agrícola que reduz a exaustão do solo, trocando as culturas a cada novo plantio, de forma que as necessidades de adubação sejam diferentes a cada ciclo. Isso fortalece o solo deixando-o mais rico em minerais.
 
Produtos orgânicos devem ficar separados dos convencionais?
Em feitas e mercados, é obrigatório separar alimentos orgânicos e convencionais para evitar risco de contaminação. Essa separação também deve ocorrer durante o transporte dos alimentos frescos e até em casa.
 
Fontes consultadas: Elaine de Azevedo, nutricionista da Universidade Federal do Espírito Santo; Luciana Carboni, da Orgânicos da Terra; Marcos Egydio Martins, engenheiro agrônomo e sócio da Fazenda Ithayê Orgânicos; Anvisa; Sandra Saboia, da Organis; Paulo Henkin, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia.
 
Baixe aqui a matéria impressa:
 
 

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