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2 | Junho

IBD

publicado em 02/06/2017

Maciço de Baturité associa produção de café e turismo


Hoje é comemorado em todo o país o Dia Nacional do Café. No Ceará, o Maciço de Baturité, que já foi responsável por cerca de 2% da produção nacional deste produto, atualmente destaca-se por um café de sombra de boa qualidade, obtido por meio de um modelo de produção que busca conciliar desenvolvimento socioeconômico, cultural, humano e preservação ambiental. Graças a uma parceria entre o Sebrae e os produtores locais, a região também vem buscando associar esta tradição de produção cafeeira ao fomento de um turismo sustentável no território.

De acordo com a articuladora do Sebrae na região do Maciço de Baturité, Fabiana Gizelle, a região teve um passado em que a produção de café foi o carro-chefe da economia. A importância desta atividade era tanta que o Maciço chegou a ganhar uma ferrovia, cuja construção remonta ao ano de 1882, ainda no governo imperial de D. Pedro II, para se interligar à capital cearense e, assim, conseguir escoar o café produzido. Cidades como Baturité, Mulungu, Aratuba, Pacoti e Guaramiranga surgiram nesse contexto, como sítios de produção que se tornaram povoados graças à cultura e à economia do café.

Mas, com o tempo, o café foi deixando de ser a principal atividade da região, e a tradição cafeeira foi ficando de lado. O primeiro passo para o resgate da atividade foi dado pelo Programa de Revitalização do Café de Sombra, desenvolvido pelo Sebrae, que buscou desenvolver ações de fortalecimento das atividades cafeeiras. “Nosso primeiro desafio era conseguir retomar a vocação do Maciço para o cultivo de café. Porém, havia também a preocupação de que esta revitalização acontecesse de forma aliada à preservação ambiental e, igualmente, à sustentação efetiva dos pequenos agricultores. A opção pela agricultura de sistemas agroflorestais, como alternativa de sustentabilidade e respeito ao homem e ao meio ambiente, tem sido uma vertente mundial na produção de alimentos, e com a cafeicultura não é diferente”, afirma a articuladora do Sebrae.

Segundo a gestora, este trabalho ajudou resgatar a produção do café de sombra na região a partir de melhorias no processo de cultivo, como mostram os cafés Novo Mulungu e Uchôa. As duas marcas do Maciço, que estão atuando no segmento de cafés especiais, têm buscado investir em tecnologia, a exemplo da aquisição de máquinas modernas para a torrefação dos grãos. Outro caso é o do produtor Frederico Yan, do Sítio Bom Princípio, que tem um intenso trabalho voltado para a produção orgânica e sustentável, mas sem deixar de lado o emprego de tecnologia em todo o processo produtivo. Os cuidados vão desde a compra da semente selecionada para a formação da muda, passando pela construção do viveiro, preparação do solo, correção do solo, adubação até o manejo da cultura. Todo este trabalho lhe rendeu a certificação orgânica creditada pelo IBD – Instituto Biodinâmico.

Já a Agropecuária Santa Lúcia promoveu mudanças na forma como o seu produto é comercializado. Seguindo uma tendência mundial, o seu mais novo produto é o café de sombra em cápsulas. O processo de encapsulamento é efetuado em sistema fechado e em ambiente controlado com injeção de nitrogênio envolvendo a torrefação, moagem e encapsulamento dos grãos. Durante o processo, são efetuados testes em máquinas especiais para garantir uma extração de qualidade da bebida em cremosidade, aroma e sabor.

De acordo com Fabiana Gizelle, todo os produtores atendidos pelo Sebrae têm trabalhado para implantar o Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC), que são o conjunto de normas para a cultura cafeeira com qualidade e sustentabilidade no Brasil e no mundo. “São procedimentos para a produção do grão de forma economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta. Isso significa estabelecer um modelo que considere a conservação da água na propriedade, a conservação do solo, a destinação de resíduos e a prevenção à poluição”.

Café e turismo

O resgate da tradição cafeeira no Maciço de Baturité tem ido além da atividade agrícola, e vem contribuindo para o fortalecimento de outras atividades, como é o caso do turismo, que por si só já constitui uma forte vocação, devido aos atrativos naturais e culturais daquela região serrana. Com a criação da Rota do Café, em 2015, a partir de uma ação do Sebrae junto a empreendedores locais, os visitantes passaram a ter a oportunidade de conhecer e vivenciar um pouco do rico passado cafeeiro do Maciço, resgatado em suas tradições fascinantes. O roteiro leva aos visitantes a percorrer trilhas, cachoeiras, passeios por entre fazendas, cafezais, casarões centenários e outros equipamentos turísticos nos municípios de Baturité, Guaramiranga, Mulungu e Pacoti.

Também apresenta aos turistas os aromas e sabores da região e os coloca em contato com moradores mais antigos, como o senhor Gerardo Farias, proprietário do Sítio São Roque, em Mulungu, uma verdadeira memória viva da história do café na serra. Ele foi o primeiro presidente da Associação dos Produtores Ecológicos do Maciço de Baturité, disseminando a importância de se preservar as riquezas naturais da região, com suas flores, pássaros, fontes de água potável e muitas outras belezas únicas.

O próximo desafio deste trabalho, de acordo com a gestora do Sebrae, é a inclusão do café do Maciço na gastronomia dos hotéis e restaurantes da região. “Queremos mostrar que é possível associar o café com a gastronomia, estimulando uma linha de produtos, serviços e experiências diferentes. Por isso, levaremos produtores como Sérgia Miranda, Afrânio, Gustavo, Uchoa e Sérgio Patrício para o Festival Fartura, que acontece em julho, em Fortaleza. Nosso objetivo é apresentar ao público da capital o café e o “terroá” (processo de produção serrano), mostrando como eles estão integrados ao turismo na serra, dando mais sabor e tornando a experiência de visitar a região ainda mais convidativa”, finalizou.

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