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Perguntas Frequentes Sobre Orgânicos |
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Quais os motivos poderia citar para justificar o crescimento dos Organicos ?
Principalmente, o aumento da consciência dos consumidores, que aos poucos percebem que os agrotóxicos têm efeito perverso também sobre o organismo Terra – sobre todas as formas de vida do solo e do ambiente geral. Agrotóxicos matam quase tudo o que encontram, destruindo a biodiversidade, contaminando a água dos rios e dos lençóis freáticos, promovendo a longo prazo o aumento das pragas, já que os agrotóxicos acabam com os inimigos naturais das pragas. Em 1962, Rachel Carlson publicou a famosa obra Silent Spring (Primavera Silenciosa), falando sobre a diminuição dos pássaros na América do Norte, como consequência da poluição causada pelos agrotóxicos na agricultura. O agrotóxico se concentra, progressivamente, nos alimentos. Por exemplo, o veneno é arrastado para o rio, contamina o peixe, que contamina a ave que o come, que contamina o homem que come a ave; no final da cadeia alimentar, em relação ao início dessa cadeia, concentração do agrotóxico pode ter aumentado milhões de vezes!
São freqüentes os envenenamentos agudos e crônicos de trabalhadores no campo. Quem, no calor brasileiro, quer usar os caros e desconfortáveis equipamentos de proteção? Além disso, o homem rural brasileiro não tem idéia dos efeitos, no longo prazo, dos agrotóxicos no seu organismo.
Finalmente, alguns alimentos orgânicos são melhores para a saúde do que os convencionais, é o que mostram os resultados preliminares de uma pesquisa realizada pela Universidade de Newcastle, no Reino Unido, com financiamento da União Européia. A pesquisa indica que frutas e vegetais orgânicos possuem, em relação aos seus similares não-orgânicos, até 40% mais antioxidantes, substâncias relacionadas à diminuição dos riscos de câncer e de doenças cardiovasculares. O leite orgânico, por exemplo, pode conter até 80% mais antioxidantes do que o comum. Os orgânicos também teriam maior teor de sais minerais como ferro e zinco. Os resultados sugerem ainda que eles contêm menos ácidos graxos trans, considerada a gordura mais prejudicial à saúde. Foram analisadas frutas, legumes e rebanhos orgânicos e não-orgânicos cultivados ou criados lado a lado em vários locais da Europa.
Criações orgânicas não usam remédios alopáticos, alguns violentos – como certos produtos para combater ectoparasitas (bernes, carrapatos e outros) e endoparasitas (vermes intestinais, principalmente), que podem deixar resíduos na carne e no leite. O pasto orgânico e todos os produtos orgânicos são cultivados sem agrotóxicos, sobre muitos dos quais pesa a suspeita de serem cancerígenos. Na década de 80, o leite consumido no estado de S. Paulo, quando foram realizados testes de resíduos pelo ITAL, em Campinas, SP, apresentou grande taxa de resíduos de agrotóxicos organoclorados.
As nascentes e cursos d’água no Brasil têm sofrido um processo de destruição da mata que os envolve, chamada mata ciliar. Para realizar a certificação orgânica, o IBD exige que essas matas sejam recompostas. Isso tem recuperado muitas fontes d’água. A agricultura orgânica proíbe as queimadas, especialmente dos pastos, exige a manutenção ou a recuperação de matas ciliares e reservas arbóreas nas unidades de produção, recomenda o plantio de árvores nos cafezais e em outros cultivos, exige, muitas vezes, barreiras vegetais formadas por árvores, recomenda o sombreamento dos pastos com árvores, a própria agro-floresta é uma prática incentivada na agricultura orgânica – há muitas produções orgânicas agro-florestais. Tudo isso recupera e protege nascentes e rios.
Até na grave questão do aquecimento da Terra os orgânicos apresentam vantagens. Uma das causas do aquecimento da Terra, provavelmente a principal causa, é a emissão de gás carbônico, que forma uma manta isolante e aquecedora sobre o nosso planeta. Como vimos acima, a agricultura orgânica proíbe as queimadas, que são grandes emissoras desse gás, exige a manutenção ou a recuperação de matas ciliares e reservas arbóreas nas unidades de produção, recomenda o plantio de árvores nos cafezais e em outros cultivos, exige, muitas vezes, barreiras vegetais formadas por árvores, recomenda o sombreamento dos pastos com árvores, a própria agro-floresta é uma prática incentivada na agricultura orgânica – há muitas produções orgânicas agro-florestais. As árvores capturam o gás carbônico, no processo da fotossíntese, e liberam oxigênio, contribuindo para o retorno do carbono à biomassa. O plantio de árvores também protege e aumenta a biodiversidade.
Uma das principais formas de emissão de carbono para a atmosfera é a queima de derivados de petróleo. A agricultura orgânica incentiva a tecnologia branda, menos dependente do petróleo, a diminuição das operações mecanizadas (aração, gradeação), substitui os adubos nitrogenados fabricados a partir do petróleo por formas naturais de adubação, economiza o petróleo empregado na fabricação de outros insumos proibidos nesse sistema de produção, incentiva o uso de formas alternativas de energia, como a solar e a eólica.
Portanto, a agricultura e a pecuária orgânicas, além de todas as outras vantagens, colabora para a diminuição do aquecimento global.
Teria numeros do consumo percapita no Brasil versus outros paises? quem é o campeão? como estamos?
O consumo de produtos orgânicos no Brasil está ao redor de 1% de todo o mercado de alimentos, ou seja, há muito espaço para crescer. Cerca de 70% da produção orgânica vendida no Brasil é vendida em supermercados.
Dos países da América Latina, o Brasil é o país com maior consumo de produtos orgânicos. O mercado no Brasil, considerando-se o agregado de todos setores, cresce firmemente, resultado da percepção dos consumidores sobre a qualidade do produto orgânico em relação ao convencional, dos benefícios para a sua saúde e para o meio-ambiente.
Com a sua grande área agrícola, o Brasil tem condições de clima e de solo que possibilitam produzir ampla gama de produtos orgânicos. No inverno, que em grande parte do hemisfério norte não se pode produzir, continuamos produzindo normalmente em várias regiões, inclusive com irrigação.
Todavia, sentimos a necessidade de uma campanha de esclarecimento para os consumidores brasileiros, sobre o que é o produto orgânico e quais são as suas vantagens para a saúde e para o nosso planeta. A maioria dos consumidores desconhece isso. Paralelamente, é preciso organizar e planejar melhor a produção, para atender demandas, por exemplo, dos supermercados, que exigem entregas certas e freqüentes, e demandas de importadores europeus e norte-americanos – estes querem produtos, como frutas, cuja produção orgânica é menor que as quantidades que possibilitam exportar economicamente.
É difícil falar com segurança sobre números de mercado. Não há dados estatísticos reunidos, mínimos e confiáveis, que permitam determinar a produção e o seu valor, e tampouco as taxas de crescimento. Os dados aparecerão depois for montado, no Ministério da Agricultura, o Banco de Dados para o qual todas as certificadoras serão obrigadas a enviar os seus dados.
A regulamentação da lei, recentemente completada, tornará claras, para o investidor, o importador e o consumidor, as normas de produção do produto orgânico brasileiro, o que deverá promover o crescimento da produção e das vendas. Nos Estados Unidos e na Europa, a produção e o consumo de orgânicos deram um salto, após a aprovação das suas respectivas leis. Isso deverá acontecer também no Brasil.
A consciência dos consumidores está aumentando para tudo o que é ecológico. Cada dia fica mais claro que a Terra e a humanidade (veja o aquecimento global...) estão em risco, a saúde das pessoas está em risco.
Estima-se que haja no Brasil quase 1,5 milhão de hectares em produção orgânica, sem contar a produção extrativista orgânica na região Norte do Brasil.
Proporção entre pequenos, médios e grandes produtores: não há estatística a respeito, mas pequenos e médios devem perfazer mais de 95% dos produtores orgânicos no Brasil.
Hortaliças orgânicas são os pequenos que produzem, não há um grande produtor de hortaliças. Açúcar orgânico: praticamente só há grandes produtores; a Usina São Francisco, em Sertãozinho, SP, produz quase metade do açúcar orgânico do Brasil, que por sua vez produz cerca de 80% do que é produzido no planeta. Há pequenos produtores de açúcar mascavo, mas que desaparecem frente às quantidades citadas de açúcar orgânico.
E ainda:
• O Brasil tem o maior mercado consumidor de orgânicos da América do Sul e este mercado está em crescimento;
• O Brasil é considerado pelo principais importadores de orgânicos – EUA, União Européia e Japão – como o país de maior potencial de produção orgânica para exportação;
• Cerca de 70% da produção orgânica brasileira (em valor) é exportada.
Em valor, perto de 70%, dos produtos orgânicos são exportados e 30% vendidos no mercado brasileiro. As commodities (açúcar, soja, café) são quase que totalmente exportadas, e todas as frutas, verduras e legumes são vendidos no Brasil.
O Brasil exporta produtos orgânicos, principalmente soja, café e açúcar, para a Europa, Japão e Estados Unidos. Nesses países, principalmente nos EUA, a demanda por produtos orgânicos é crescente. Estima-se que o mercado de orgânicos no mundo supere 50 bilhões de dólares por ano.
O Brasil é forte na produção orgânica de açúcar, soja, café, óleos, amêndoas, mel e frutas. Há uma demanda mundial reprimida de frutas orgânicas. Óleos essenciais orgânicos estão em alta, com o crescimento do mercado de cosméticos orgânicos.
PERFIL DA AGRICULTURA ORGÂNICA NO BRASIL
Em 2006 o IBGE realizou o Censo Agropecuário no Brasil em 5.175.489 estabelecimentos, que possuem atividades na exploração agropecuária e/ou florestal. A prática da agricultura orgânica foi declarada em 90.497 propriedades (1,75% do total). Destes apenas 5.106 (cerca de 1%) são certificados por entidades credenciadas. As regiões Sul, Sudeste e Nordeste do País englobam 88,3% dos estabelecimentos certificados. Os estados do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul possuem 54,7% dos estabelecimentos certificados com horticultura e floricultura. Nos estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo situam-se 48,6% das lavouras permanentes certificadas, Tabela 1. Na Revista Hortifruti Brasil de novembro de 2009 (www.cepea.esalq.usp.br/hfbrasil) foram analisados os dados do Censo e mostra 83,0% dos estabelecimentos com culturas permanentes orgânicas situam-se no estrato de área entre 0 e 50 hectares, enquanto que as propriedades que possuem horticultura e floricultura totalizam 91,0% nesse estrato, evidenciando a predominância desse cultivo alternativo em pequenas propriedades. Os estados do Sul são aqueles que predominam em número de propriedades certificadas e onde existem maior tradição e atividades do serviço público, visando o apoio e expansão do setor orgânico. Na região Sudeste: Minas Gerais e São Paulo são os principais e no Nordeste: Bahia e Ceará tem o maior número de propriedades certificadas.
O IBD, por contrato com os clientes, não pode dar informação sobre número de hectares que certifica, simplesmente porque há muitos produtos em que o IBD certifica apenas um produtor, e portanto a área total do produto certificada seria exatamente igual à área de um cliente certificado.
Quais as metas em relação aos Organicos?
A grande preocupação é completar e testar a lei brasileira de orgânicos, que em grande parte está regulamentada, mas que continua carente de alguns importantes regulamentos, como instruções normativas para cosméticos, insumos, têxteis e outros importantes produtos; e registrar insumos comerciais que, a partir de 1º de janeiro de 2011, precisarão estar registrados para continuarem a ser aplicados em produções orgânicas.
A quanto tempo voces fazem a certificação? Quanto representa? Quanto tÊm crescido?
No início da década de 80, surgiu o Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (nome original do IBD), criado pelo agrônomo Alexandre Harkaly e colegas, para divulgar a agricultura orgânica e biodinâmica no Brasil. Em 1990, o IBD iniciou seus trabalhos de certificação. Alguns anos depois, o IBD passou a se dedicar apenas à certificação e foi criada a Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica – ABD, que assumiu o trabalho de pesquisa, consultoria e divulgação na área de agricultura biodinâmica.
O IBD certifica hoje mais da metade dos produtores orgânicos no Brasil. O crescimento tem sido contínuo, mas é difícil falar em números, porque há uma rotatividade variável dos clientes – saídas e novas entradas.
Fonte: José Pedro Santiago, Alexandre Harkaly - IBD
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